Ele chegou reclamando. "O banheiro cheira mal. O quarto é pequeno. O colchão é fino e eu tenho problema nas costas." Alternando inglês e mandarim, Adam entrou no quarto às oito da manhã encontrando defeito em tudo. "Se não curtiu, procura outro buraco pra ficar!", resmunguei sem perceber que o fiz em português. De mau humor, me arrumei e fui pra Tiananmen Square o mais rápido que pude pra nao ter que ficar escutando ele dizer que a imagem da tv era ruim e por isso ele não ia pagar 45 yuans...
Fui dar uma volta na praça, já que ontem cheguei tarde e não vi muita coisa... Passei pelo portão da muralha que cercava a Peking medieval e por um mercado. Caminhando pro sul, queria chegar ate o Temple of Heaven, uma das atrações mais famosas de Beijing. Lógico que me perdi pelo caminho (e pra melhorar, joguei meu mapa no lixo por engano). Tentei extrair alguma informação de algumas pessoas que assistiam a um jogo de ping pong numa praça e o máximo que consegui foi perceber que eles não fazem idéia das traduções dos nomes dos monumentos. E como eu nao sabia nem falar "oi" em mandarim - muito menos Temple of Heaven - voltei pra Tiananmen com medo de me perder muito e não conseguir mais voltar... Curiosidade: demorei muito pra associar Tiananmen com a "Praça da Paz Celestial" que sempre ouvimos falar no Brasil.
De lá, resolvi entrar na Cidade Proibida antes que ela fechasse, como aconteceu ontem.
Assim que entrei, decepção. Um grande pátio cercado que terminava em uma grande... foto. Sim, o prédio principal estava em reforma e cobrindo os andaimes estava uma grande foto, de como aquele palácio deveria ser. Com o pressentimento que toda aquela grana que paguei pra entrar tinha sido desperdiçada, fui dar uma olhada nas exposicões nos prédios laterais, cada uma tratando um tema diferente. Mas o que me chamou a atenção mesmo foi aquele caminho num dos cantos da praça... Vai ver esse palácio não era o principal e tem mais lá no fundo...
E assim que bati o olho no próximo pátio, vi uma... foto! Ainda maior! Diante desse deja vu terrivel, minha vontade era rasgar o ingresso caríssimo e ir embora. Antes de começar a surtar, porém, bati o olho no canto da praça e lá estava mais uma passagem pra um outro espaço.Fui dar uma volta na praça, já que ontem cheguei tarde e não vi muita coisa... Passei pelo portão da muralha que cercava a Peking medieval e por um mercado. Caminhando pro sul, queria chegar ate o Temple of Heaven, uma das atrações mais famosas de Beijing. Lógico que me perdi pelo caminho (e pra melhorar, joguei meu mapa no lixo por engano). Tentei extrair alguma informação de algumas pessoas que assistiam a um jogo de ping pong numa praça e o máximo que consegui foi perceber que eles não fazem idéia das traduções dos nomes dos monumentos. E como eu nao sabia nem falar "oi" em mandarim - muito menos Temple of Heaven - voltei pra Tiananmen com medo de me perder muito e não conseguir mais voltar... Curiosidade: demorei muito pra associar Tiananmen com a "Praça da Paz Celestial" que sempre ouvimos falar no Brasil.
De lá, resolvi entrar na Cidade Proibida antes que ela fechasse, como aconteceu ontem.
Assim que entrei, decepção. Um grande pátio cercado que terminava em uma grande... foto. Sim, o prédio principal estava em reforma e cobrindo os andaimes estava uma grande foto, de como aquele palácio deveria ser. Com o pressentimento que toda aquela grana que paguei pra entrar tinha sido desperdiçada, fui dar uma olhada nas exposicões nos prédios laterais, cada uma tratando um tema diferente. Mas o que me chamou a atenção mesmo foi aquele caminho num dos cantos da praça... Vai ver esse palácio não era o principal e tem mais lá no fundo...
Com a sensação de que veria outra foto enorme no lugar que deveria existir um palácio, fui pro proximo pátio. Mas dessa vez a imagem era 3D. Eu podia realmente ver a construção central. E como ela se impunha! Ainda sorrindo de ter visto alguma coisa pelo menos, encontrei com espanto uma passagem pra mais um pátio. E outra. E outra.
Confesso que não lembro quantos pátios tinha, mas a cada nova área, eu me impressionava; não com as construções em si, já que elas mantinham um certo padrão, mas por eu nunca encontrar o fim da Cidade Proibida! Pátios e mais pátios, palácios e salões. E eu que achei que "cidade" deveria ser exagero...
Enfim, depois de andar um bocado, parei numa cafeteria lá dentro pra tomar algo. Hein? Achou muito capitalista uma cafeteria terceirizada dentro de um prédio publico de um país comunista? Então imagina minha surpresa quando o casal de franceses sentados na mesa ao lado me contaram num inglês forçado que antes aquilo ali era um Starbucks! Não, é demais pra mim! O KFC no portão de desembarque no aeroporto foi engraçado... Mas um Starbucks dentro de uma construção que tem a foto de Mao Tse-Tung na entrada era uma afronta a tudo que eu sabia e tinha ouvido sobre a China.
Confuso, peguei meu caminho ate a saída. Mas tive tempo de digerir minha descoberta até chegar ao portão principal. Não me admira que alguns imperadores nunca tenham saido de dentro daquelas muralhas... Vai ter um palácio grande assim lá na China!
Ainda subi no portão para uma visão privilegiada dos pátios e de Tiananmen Square, mas não me prendi ali por muito tempo. Voltei para o albergue e numa tentativa de socializar com meus roomates, chamei todos pra ir até o restaurante que jantei ontem. Lugar repetido? Pelo menos era certeza que lá conseguiria fazer meu pedido ser entendido, além de a comida lá ser muito boa...
Enfim, a sueca não quis ir; a cada dia ela me parecia mais anti-social. Fomos entao eu, Adam e Dave. Adam é um americano, orgulhoso porque fala mandarim e resmungão, mas tinha histórias pra contar. Já Dave, um canadense que dá aulas de inglês no Japao, fazia muitas perguntas (especialmente para o Adam, sobre a China, já que acabara de chegar) e pareceu boa gente. Depois de comer e tomar duas rodadas de Tsing Tao (melhor cerveja chinesa, produzida numa cidade de colonização alemã, o que explica a qualidade), voltamos pro albergue. A sueca dormia... Além de anti-social, ronca!
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