27 de abril de 2007

Beijing

Beijing é uma cidade ótima pra se pedalar. Um labirinto sem fim de ciclovias é rota de crianças para a escola, empresários para o trabalho, turistas para os monumentos. Resolvi me juntar à multidão e ir passear sobre duas rodas, "Chinese style".

Ainda estava clareando quando aluguei a bicicleta no albergue. Era a magrela do Jack, o garoto de não mais de dezoito anos que me disse ser o gerente dali, e provavelmente o melhor que eu podia conseguir... Ela era uma mountain bike ocidental novinha e chamava atenção entre o amontoado de ferrugem sobre rodas que os chineses pedalavam no meu caminho até o Temple of Heaven.

Quando cheguei lá, percebi que eu não estava tão perdido ontem. Se tivesse andado mais um pouquinho teria encontrado o templo. Mas não me culpo... A chance de me perder e muito sem um mapa e sem falar mandarim era enorme e eu podia demorar horas pra achar o caminho de volta. Mas enfim, hoje estava equipado, com mapa e com a bicicleta... Tudo foi mais simples.

O Temple of Heaven é um complexo enorme, formado por diversos templos alinhados e algumas outras construções nos arredores - incluindo um que é usado como escola e outro como conservatório, se bem me lembro - tudo cercado de jardins ditos magnificos. E os chineses sabem valorizar toda essa beleza, pelo menos na hora de por o preço do ingresso.

Relutante, paguei e entrei. E não reclamei mais. O templo vale cada centavo e o parque em torno é espetacular. Passei horas lá dentro, perdi mesmo a noção do tempo! Principalmente nos jardins, onde os casais sentavam pra namorar (confesso que me senti meio autista sozinho, mas a gente se acostuma) e onde os velhinhos sentam pra dar comida pros pássaros, fazer tai-chi-chuan ou pra dar risada. Sim, dar risada... Tinha a velhinha que ria sozinha, sentada entre as flores, e seu riso ecoava por todo o parque. E era uma risada gostosa de se ouvir, não foram poucas as vezes que se escutava algum riso perdidos entre as árvores, em resposta.

Tambem rindo, deixei o Temple of Heaven e segui de bicicleta rumo norte, passando por Tiananmen Square ate chegar em Benhai Park. Não sabia nada sobre esse lugar, mas uma indicação no mapa de "White Pagoda" me fez querer dar uma olhada. Mas não antes de pagar mais um ingresso superfaturado.

Esse parque tinha essa pagoda no topo de um morro infestado de construções de arquitetura tradicional, tudo cercado por um lago. Achei meio artificial. Como se tudo em volta tivesse sido feito há pouco tempo, pra valorizar a estupa e ficasse mais interessante pra se cobrar entrada!

Apesar dessa sensação, tentei não me preocupar muito e aproveitei o final de tarde. Com pouca gente ali, foi divertido passar o tempo procurando melhores ângulos pra fotos, testar contrastes. Tive chance de aprender alguns caracteres em mandarim, com um senhor que escrevia no chão usando uma espécie de pincel do tamanho de uma vassoura e água. Eles duravam pouco no piso quente mas era muito divertido... Antes de ir embora, ainda vi o pôr-do-sol refletir nas águas do lago.

Voltei pro albergue e saí pra tomar cerveja. A sueca (ainda não decorei o nome dela, só lembro que comeca com "M"...) confirmou a fama de anti-social e não vi o Adam, então fomos Dave e eu. Paramos num bar que só tinha chineses e ninguém parecia gostar de estrangeiro. Mal atendidos e desconfortáveis com tanta gente em volta olhando como se a gente fosse E.T., encurtamos a bebedeira e fomos pro albergue cedo...

Temple of Heaven.

Velhinha nos jardins do Temple of Heaven. A risada dela ecoava por todo o parque.


White Pagoda no Benhai Park.

Desenhando com água no Benhai Park.

0 comentários: