15 de agosto de 2007

Monte Kinabalu

A moça do albergue me acordou para o café da manhã. Eram seis e quinze, o transporte para o parque chegaria às quinze para as sete. Chegaria.

Às sete e meia... E depois de eu já ter fuçado todos os canais da tv a cabo, ele chega. Um homem com cara de antipático em seu sedan zero quilômetro. "A gente vai buscar os outros?", pergunto. Não tinham outros.

Assim que entramos no carro, a antipatia sumiu. Na verdade, ele disparou a falar e repetir infinitamente as mesmas instruções, sempre que o silêncio se impunha por mais de cinco segundos. Agradeço a preocupaçãao, mas calma aí!

Depois de uma hora e meia de estrada e de ele ter falado mais que Fidel Castro em seus discursos, chegamos ao Headquarters. Fui apresentado ao meu guia, um baixinho com mullets e bigode chamado Wilfred! Mas afinal, onde é que eles acham essas figuras?

A trilha começou em mata fechada e a umidade era insuportável. Inexplicavelmente, os mosquitos estavam sumidos. Mas estava muito bom sem eles, então melhor ficar quieto e aproveitar. A previsão de caminhada do dia era de seis horas segundo Wilfred e a ausência de picadas seria muito bem-vinda.

Nota para a cara do meu guia toda vez que eu recusava uma oferta de 'cinco minutos de descanso'. Pegamos um ritmo rápido de caminhada e chegamos a Laban Rata - onde passariamos a noite - três horas depois de comecar. Com certeza, ele me subestimou: metade do tempo planejado, bom, não? Acho que ninguém foi mais rápido que a gente hoje, exceto os maratonistas treinando pra Climbathon, uma corrida de montanha (eu chamaria de suicídio coletivo).

Tomei um banho e tirei um cochilo até o jantar. Na hora em que a comida foi servida, mostrei meu talento máximo: comer! Me oferecer um 'all you can eat' é perigoso, prejuízo na certa... Sentei na varanda pra curtir o pôr-do-sol. Perfeito, exceto pelo vento frio que batia.

Depois do jantar, não demorou muito para eu apagar de novo...

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